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O MERCADO NÃO É SÓ UMA "FEIRINHA", SEU PAPEL VAI ALÉM DO ESPERADO


No último sábado fui conhecer o evento O Mercado, uma feira que tem como objetivo trazer coisas produzidas por marcas novas, apresentando novos estilistas e conceitos, tudo dentro de um contexto sustentável, saudável e simples. O evento conta com uma gama de produtos impressionantes nesse sentido, chega a ser tão eclética que a gente se perde pelo caminho.


Os Mercadores
O Mercado está completando 4 anos de vida e suas produtoras, Clarissa Muniz e Je Muniz, que já se conhecem há mais de 10 por essas muitas feiras da vida, prepararam uma festa em grande estilo. No imperial Salão Nobre do Fluminense, nas Laranjeiras, o evento contou com dezenas de expositores (chamados carinhosamente de Mercadores), com direito a muitos brindes, brincadeiras e uma boa dose de anos 20 aos 40 nas vitrolas do DJ. "Poesia", como definiu Bea Machado, uma das Mercadoras.

Nessa corrida para ver coisas legais, acabei conversando com pessoas que fazem acontecer, conhecendo a importância de feiras como O Mercado e resgatando em mim certo espírito empreendedor, sustentável e de bon vivant. Numa atmosfera fora do comum, diante de pessoas lindas, inteligentes e que fazem, acabei por me tomar por uma vontade em querer saber sobre tudo; anseios, medos, vontades e tudo o que pode fazer parte desse meio.

Me deparei com profissionais que largaram TUDO para dedicar-se somente ao "sonho" de ver suas marcas decolarem e se fazerem valer de toda a criatividade e tempo empregados. Conversei com um monte de gente, muitos pela primeira vez em eventos como esse, outros já velhos de guerra. E descobri que fazem tudo com muito prazer, força de vontade pela perspectiva em crescer.

Breno Madeira
Em minhas muitas paradas, conheci Breno Madeira, fundador da Lithium, marca de surf wear, lá de Petrópolis. Com o slogan "Charge your mind", a Lithium tem como fundamento recarregar as positividades, o bem estar e tudo o mais que a nossa mente precisa. Sobre participar do evento, Breno disse "O Mercado é diferente de outros eventos, primeiro por ser gratuito, depois por considerar que a mistura de etnias, grupos... é uma vantagem para quem tem uma mensagem para passar como nós da Lithium". Perguntado sobre o que esperar da marca futuramente, ele foi taxativo: "Temos novidades boas pra acontecer no Rio de Janeiro com ações de marketing bem legais e diferentes. Pra galera recarregar a mente de verdade". É esperar!

Bea Machado e Namorado (carinhosamente denominado como Mão-de-Obra Escrava)

Bea Machado, que é formada em produção de moda pelo Senac, também falou sobre a importância de O Mercado (sua primeira feira) para esses novos conceitos e marcas "Acho que uma publicidade conjunta, colaborativa acaba sendo boa pra todo mundo. O desempenho foi ótimo, mas sempre pode melhorar!"

Glau e Matheus Pietrobon
O casal da FolkBoots, Glau e Matheus Pietrobon, também falou sobre a experiência em O Mercado: "O Mercado é de longe o evento mais leve que já fizemos. É uma sensação de grande família, todos se dão muito bem, não vejo picuinhas entre os mercadores. É um evento que dá vontade de fazer, esperamos por esse dia!"

E foi nesse sentimento que percebi a essência real em O Mercado, que vai além do papel de ser uma feira, mas é fundamentalmente um meio que surpreende a quem visita, não só por suas boas ideias e fluidez dos produtos expostos, mas pelo ideal de agregar conceitos sustentáveis e de bem com o meio ambiente. Os Mercadores são em suma pessoas que fazem de verdade, que muito aprendem com outros Mercadores, com novidades que pipocam por todos os lados, sempre servindo de guarita para o surgimento de novas parcerias e projetos futuros.

Como disse uma das visitantes do evento e que resumiu bem o que sente quem vai, "É a ideia, pois colocar pessoas que criam juntas surte um efeito positivo em todos. Quem sai de lá sai com a certeza de que vai criar muito mais e apresentar algo novo a cada novo evento".

Seria O Mercado uma fábrica de sonhos?!

Segue entrevista com as produtoras do evento, Clarissa Muniz e Je Muniz:

Clarissa Muniz e Je Muniz

EXPCARIOCA - O Mercado começou de "uma chuva de ideias", principalmente para mostrar suas criações, mas quando foi que vocês pensaram em criar um evento que, 4 anos depois, é referência dentro do ramo?!

O Mercado - Nós duas já participávamos de feiras e bazares na Zona Sul e Lapa (foi assim que nos conhecemos). A gente sempre falava de coisas que poderiam ser melhoradas nesses bazares, tanto para atender melhor os clientes quanto para melhorar o trabalho dos expositores e passávamos essas ideias ao organizadores, mas nunca nos deram muita atenção.

Em setembro de 2010 decidimos fazer um bazar pequeno, com no máximo 40 marcas, focando no que a gente achava legal. Foi assim que em novembro de 2010 fizemos nossa primeira edição, sem muito planejamento mas com o apoio de vários amigos que acreditaram em nós.

EXPCARIOCA - Qual foi o principal incentivo? Muitos tem muitas ideias, delas, grande maioria, muito boas também, porém falta algo para dar "aquele" empurrão, a quem vocês colocam esse mérito?!

O Mercado - Acho que nosso maior incentivo foi ver que as pessoas acreditavam em nós e compraram a ideia. Nós chegamos para nossos amigos, que também tem suas marcas, e falamos: "queremos fazer um evento com isso, isso e isso, mas não temos nada pronto para mostrar" e todos curtiram, acreditaram, investiram. Vimos que a ideia era boa então e trabalhamos muito em cima dela.

Com o passar de cada edição o feedback dado tanto por quem expõe quanto por quem visita faz com que a gente tenha ainda mais vontade de continuar.

Cada edição é única para nós, não nos comportamos como "ah, a gente já faz isso e tudo vai acontecer no automático".

Ficamos sempre agitadas, ansiosas, sempre há algo que a gente se atrapalha completamente e coisas que aprendemos como consertar. Todas as edições nos acrescentam muito profissionalmente e pessoalmente.

EXPCARIOCA - Vocês são de lugares totalmente diferentes, vieram pro Rio de Janeiro, se conheceram e pronto, deu certo desde o início, foi casamento perfeito?! Ou passaram por curvas sinuosas antes de tornarem-se a equipe vencedora de hoje?! Citam algum momento para nós?!

O Mercado - Nunca nos desentendemos de verdade nem tivemos grandes problemas.

Ambas somos teimosas e inquietas, mas isso nunca foi um problema para nós. Sempre nos demos bem, nos entendemos e conseguimos lidar uma com a outra. Nossos objetivos, características pessoais, forma de trabalho e maneira de lidar com as coisas sempre foram bem claros uma para outra. Nesses 4 anos nunca brigamos sério, acredita? Quando a gente se desentende pouco tempo depois uma fala uma besteira, as duas morrem de rir e está tudo certo.

EXPCARIOCA - A proposta do O Mercado (EI) é sensacional, criando uma exposição para quem mais precisa aparecer, que são aqueles profissionais fundo de garagem, profissionais liberais com um certo dom artístico e que faz, aos poucos, a marca e seu público crescerem. Como vocês avaliam o impacto do evento de vocês dentro desse crescimento?! Como vocês acreditam influenciar esses novos nomes e propostas "artísticas"?! E qual é o sentimento de vocês quando possibilitam isso?!

O Mercado - Um dos objetivos do evento sempre foi o de acrescentar mais ao profissional além de ir lá no dia, vender e ir embora. Nós queremos mostrar as ferramentas adequadas para que eles alcancem seus sonhos e criem novas metas.Felizmente nesses 4 anos conseguimos fazer a diferença para muitos deles. Muitas marcas chegam sem ter cnpj, não sabem preencher uma nota fiscal nem por onde começar a divulgar e nós prestamos toda a assessoria necessária.

Por outro lado muitos clientes não frequentavam eventos como o nosso por não entenderem bem o conceito ou acreditar ser super alternativo, e nós conseguimos levar muitas dessas pessoas para conhecer o trabalho de profissionais independentes. Antigamente muitos eventos como o nosso eram frequentados em grande maioria por jovens e adolescentes.

Hoje a diversidade de idades é enorme! N'O Mercado você vê crianças andando pelos corredores com fantasias, bebês em carrinhos, casais de idosos, grupos de adolescentes e até famílias inteiras. Isso é ótimo pois ajuda a fomentar a cultura de consumo consciente. Uma criança que hoje frequenta o evento com seus pais e sai de lá com algo que goste tem mais chances de crescer interessado em buscar outras formas de consumo além de lojas tradicionais e grandes grifes.

Claro que toda conquista é comemorada, nós ficamos muito felizes por poder fazer parte, junto com outros produtores de eventos, dessa mudança na ideia de consumo.

EXPCARIOCA - Uma coisa é impressionante no evento O Mercado: as pessoas se conhecem! Nesse sentido, da irmandade, do ideal de "Mercadores", como isso facilita o trabalho de vocês?! Cada novo ano, novo evento, com uma certa renovação, fora garimpar marcas, como garimpam pessoas?! Ela vêem por indicações em suma, ou vocês abrem as inscrições e depois decidem quem vale a pena ou não?!

O Mercado - A gente incentiva a amizade e parceria entre os participantes. Fomos o primeiro evento no Rio a promover encontros, piqueniques, lanches e outras atividades com o intuito de fazer com que os Mercadores (nossos expositores) se conheçam e troquem ideias. Outro diferencial é que nós duas somos extremamente acessíveis. Eles conversam diretamente conosco, tem os nossos números de telefone... Nós que falamos com eles, sem intermediários. Também ficamos presente durante todo o evento. Isso não apenas facilita o nosso trabalho como também dá a ele mais credibilidade.

Nós temos um cadastro no site para quem tem interesse em participar e fazemos as escolhas por lá. Buscamos pessoas que amam o que fazem, que gostem de atender o público, que buscam qualidade de vida e façam produtos lindos, originais com preços justos.

EXPCARIOCA - Para terminar a nossa entrevista, girls, gostaríamos de saber onde vocês pretendem chegar com O Mercado e ainda, será que rola umas prévias sobre o próximo evento para a galera do Experimento Carioca?! Dá uma dica de como e quando será o próximo, dá pra ser?!

O Mercado - Não temos uma meta fixa de onde o evento vai chegar pois gostamos de trabalhar sempre analisando as preferências do público, dos nosso Mercadores e das necessidades do comércio. Mas podemos adiantar algumas informações especialmente para vocês. A próxima edição será nos dias 13 e 14 de dezembro no Salão Nobre da sede do Fluminense e será uma linda edição natalina, com muitas opções de presentes e algumas surpresas.

Já para o ano que vêm estamos programando 6 edições, todas temáticas.


Espero que tenham curtido e logo logo trarei uma matéria sobre a minha ida na abertura do Festival CurtaCinema 2014.

Links sobre a matéria:
O Mercado
Lithium
Magritte Dalí
FolkBoots

Adendo: Agradecer à nossa fotógrafa/parceira Cintia Littrell, pelo excelente trabalho com as fotos do evento.

BubRei